quinta-feira, janeiro 31, 2008

Tarado é toda pessoa normal pega em flagrante

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Porque o carnaval está à porta...

... até quarta-feira de cinzas deixo uma frase por dia do mestre Nélson Rodrigues... cada uma delas podia ser o título de um romance, o objecto de uma tese de estudo, ou qualquer outra coisa... mas são, de certeza, o retrato da nossa condição humana, demasiadamente humana...

segunda-feira, janeiro 21, 2008

Porque a noite de ontem foi igual a tantas outras...

A candy-colored clown they call the sandman
Tiptoes to my room every night
Just to sprinkle stardust and to whisper
Go to sleep. everything is all right.

I close my eyes, then I drift away
Into the magic night. I softly say
A silent prayerlike dreamers do.
Then I fall asleep to dream my dreams of you.

In dreams I walk with you. in dreams I talk to you.
In dreams youre mine. all of the time were together
In dreams, in dreams.

But just before the dawn, I awake and find you gone.
I cant help it, I cant help it, if I cry.
I remember that you said goodbye.

Its too bad that all these things, can only happen in my dreams
Only in dreams in beautiful dreams.

Roy Orbison "In Dreams"

sábado, janeiro 19, 2008

A straight poem...

Never doubt my words
i know a lot of them
but only use
a limited few
those that are true

O não-alibi do ser...

Não há desculpas para alienar a responsabilidade de cada um. Todas as nossas acções são pessoais e intransmissíveis. Para aliviar a consciência procuramos razões exteriores, mas as justificações por intermédio de fenómenos sociais, económicos, culturais, religiosos, etc, pecam por defeito, porquanto, em última instância, ainda que induzido, influenciado, condicionado, ao agir sou só eu que o faço. Mesmo quando não faço, que é tão-só outra forma de fazer...

quarta-feira, janeiro 16, 2008

Excedente de visão...

Basicamente é uma questão de perspectiva, significa que pelo facto de observarmos algo ou alguém duma diferente posição espacial ou temporal conseguimos uma outra visão dos eventos (não quer dizer que seja mais ou menos acertada) que nos permite um vislumbrar de sinais fora do alcance desse algo ou alguém. A pergunta que importa então colocar é o que fazer com esse excedente de visão, que é só nosso por ser impossível cedermos a nossa posição. Dizemos a esse alguém o que só nós podemos ver ou, o que é o mesmo, o que julgamos ver. Ninguém pode ser eu ou ver como eu. E, assim, Eu, ateu convicto e militante, creio que a única solução é ter fé. Ter fé no outro alguém e esperar que o outro alguém tenha fé em nós.

quarta-feira, janeiro 09, 2008

Eu já vi gente conseguir...

"Coragem é sabermos que estamos vencidos à partida, mas recomeçar na mesma e avançar incondicionalmente até ao fim. Raramente se ganha, mas às vezes conseguimos."

Harper Lee "Por favor, não matem a cotovia"

3 evidências raramente praticadas...

"Quando uma criança te pergunta algo, por amor de Deus, responde-lhe. Agora não faças disso uma encenação. As crianças são crianças, mas detectam uma resposta evasiva mais rapidamente do que os adultos, e a evasão só as confunde."

"As pessoas que estão no seu perfeito juizo nunca se orgulham dos seus talentos."

"(...) mas antes de viver com outros, tenho que viver comigo próprio. E a única coisa que se sobrepõe à regra da maioria é a nossa consciência."

Harper Lee "Por favor, não matem a cotovia"

terça-feira, janeiro 08, 2008

O Poeta dos meus estados de alma...

Antigamente escrevia poemas compridos
Hoje tenho quatro palavras para fazer um poema
São elas: desalento prostração desolação desânimo
E ainda me esquecia de uma: desistência
Ocorreu-me antes do fecho do poema
e em parte resume o que penso da vida
passado o dia oito de cada mês
Destas cinco palavras me rodeio
e delas vem a música precisa
para continuar. Recapitulo:
desistência desalento prostração desolação desânimo
antigamente quando os deuses eram grandes
eu sempre dispunha de muitos versos
Hoje só tenho cinco palavras cinco pedrinhas

Ruy Belo "Cinco Palavras Cinco Pedras"

domingo, janeiro 06, 2008

A precisar ser relido e redescoberto...

"Somos cinco numa cama. Para a cabeceira, eu, a rapariga, o bebé de dias; para os pés, o miúdo e a miúda mais pequena. Toco com o pé numa rosca de carne meiga e macia: é a pernita da Lina, que dorme à minha frente. Apago a luz, cansado de ler parvoíces que só em português é possível ler, e viro-me para o lado esquerdo: é um hálito levemente soprado, pedindo beijos no escuro que me embala até adormecer. Voltamo-nos, remexemos, tomados pelo medo de estarmos vivos, pela alegria dos sonhos, quem sabe!, e encontramos, chocamos carne, carne que não é nossa, que é um exagero, um a-mais do nosso corpo mas aqui, tão perto e tão quente, é como se fosse nossa carne também: agarrada (palpitante, latejando) pelos nossos dedos; calada (dormindo, confiante) encostada ao nosso suor."

"Somos gente pura: os mais novos não sabem o que é a promiscuidade, a minha rapariga se vir a palavra escrita deve achá-la muito comprida e custosa de soletrar: pro-mis-cu-i-da-de (pelo método João de Deus, em tipos normandos e cinzentos às risquinhas, até faz mal à vista!). A promiscuidade: eu gosto. Porque me cheira a calor humano, me sobe em gosto de carne à boca, me penetra e tranquiliza, me lembra - e por que não ?! - coisas muito importantes (para mim, libertino se o permitem) como mamas, barrigas, pele, virilhas, axilas, umbigos como conchas, orelhas e seu tenro trincar, suor, óleos do corpo, trepidações de bicharada. E a confusão dos corpos, quando se devoram presos pelos sexos e as bocas."

Luiz Pacheco "Comunidade"

sexta-feira, janeiro 04, 2008

Pensar no futuro é deixar fugir o presente...

"Só que há alguns tipos de homem que... que estão tão ocupados preocupando-se com o próximo mundo, que nunca aprendem a viver neste..."

Harper Lee "Por favor, não matem a cotovia"

Porque as crianças nunca deixam de o ser...

"No inicío do Verão tinha-me pedido em casamento, mas depois rapidamente se esqueceu da proposta. Tinha-me escolhido, marcou-me como sua propriedade, disse que eu era a mulher que amaria para toda a vida e depois ignorou-me. Dei-lhe duas tareias, mas de nada adiantou..."

"Ele disse que estava a tentar cair no goto de Miss Maudie, que já o fazia infrutiferamente há quarenta anos, que ele era a última pessoa no mundo com quem Miss Maudie pensava em casar, mas a primeira em que pensava para arreliar, e por isso, a melhor forma de se defender dela era a chamada ofensa espirituosa. Para nós, aquilo era tudo claro como água."

Harper Lee "Por favor, não matem a cotovia"