sábado, março 29, 2008

Bofetadas é que era preciso...

Se é verdade que a professora do Carolina Michaelis "autorizou os alunos a manterem os telemóveis ligados, permitindo-lhes que ouvissem música" (http://ultimahora.publico.clix.pt/noticia.aspx?id=1323798) pena é não ter levado umas bofetadas. Por estas e por outras atitudes de negação total do ensino, de desresponsabilização de alguns (não todos, felizmente) professores que só querem alunos quietos e sossegados nas salas de aula, mesmo que totalmente alheios ao que lá se passa, é que a imbecilidade socio-cultural se espalha - a culpa maior nunca é, exclusivamente, dos meninos e dos pais e da sociedade e da televisão, etc... É dos professores funcionários públicos, incapazes, incompetentes e desinteressados da sua função.

Espelhos distorcidos da alma...

“Já não suportava essa mentira que é o relatar dos sonhos. Porque nenhum sonho se pode contar. Seria preciso uma língua sonhada para que o devaneio fosse transmissível. Não há essa ponte. Um sonho só pode ser contado num outro sonho.”

Mia Couto “O outro pé da sereia”

quinta-feira, março 27, 2008

Música do meu aquecimento para um espectáculo que viajou até ao Brasil: "E se ao menos eu pudesse mergulhar o rosto numa cha

Não admito que me fale assim
Eu sou o seu décimo-sexto pai
Sou primogênito do teu avô, primeiro curandeiro
Alcoviteiro das mulheres que corriam sob o teu nariz
Me deves respeito, pelo menos dinheiro
Ele é o cometa fulgurante que espatifou

Um asteróide pequeno que todos chamam de terra
Um asteróide pequeno que todos chamam de terra

De Kryptônia desce teu olhar
E quatro elos prendem tua mão
Cala-te boca, companheiro, vá embora, que má criação!
De outro jeito não se dissimularia a suma criação
E foi o silêncio que habitou-se no meio
Ele é o cometa fulgurante que espatifou

Um asteróide pequeno que todos chamam de terra
Um asteróide pequeno que todos chamam de terra

De Kryptônia desce teu olhar
E quatro elos prendem tua mão
Cala-te boca, companheiro, vá embora, que má criação!
De outro jeito não se dissimularia a suma criação
E foi o silêncio que habitou-se no meio
Ele é o cometa fulgurante que espatifou

Zé Ramalho "Kriptônia"

sábado, março 22, 2008

...

“O silêncio não é a ausência da fala, é o dizer-se tudo sem nenhuma palavra.”
Mia Couto “O outro pé da sereia”

sexta-feira, março 21, 2008

A propósito do incidente na escola Carolina Michaelis...

Não há muitas palavras para descrever a situação... a alarvidade alastra, a sociedade ri, o governo decreta e... deixem os paizinhos daqueles IMBECIS avaliar os professores... afinal vivemos em democracia... e toda a gente gosta de opinar e vociferar e dizer piadolas... Ah, e continuem a fazer manifestações e a votar nos mesmos partidos que alternam democraticamente neste país há 30 anos e que conduziram a sociedade a este estado de esterqueira...

quarta-feira, março 19, 2008

Lembraram-me que era dia do pai...

Minha laranja amarga e doce
meu poema
feito de gomos de saudade
minha pena
pesada e leve
secreta e pura
minha passagem para o breve breve
instante da loucura.

Minha ousadia
meu galope
minha rédea
meu potro doido
minha chama
minha réstia
de luz intensa
de voz aberta
minha denúncia do que pensa
do que sente a gente certa.

Em ti respiro
em ti eu provo
por ti consigo
esta força que de novo
em ti persigo
em ti percorro
cavalo à solta
pela margem do teu corpo.

Minha alegria
minha amargura
minha coragem de correr contra a ternura.

Por isso digo
canção castigo
amêndoa travo corpo alma amante amigo
por isso canto
por isso digo
alpendre casa cama arca do meu trigo.

Meu desafio
minha aventura
minha coragem de correr contra a ternura.

José Carlos Ary dos Santos "Cavalo á Solta"