terça-feira, abril 29, 2008

Eu conheço-o bem...

“(…) lançara a escada, mas não se fazia à abordagem. Ele era um homem cercado por receios (…) ele era um homem tímido de mais para fazer convites, inseguro demais para receber uma recusa.”

Mia Couto “O outro pé da sereia”

segunda-feira, abril 28, 2008

Para uma fada que só agora compreendi...

“(…) a melhor maneira de não morrer queimado é viver dentro do fogo.”

Mia Couto “O outro pé da sereia”

Está tudo louco... e eu também...

Agora tenho uma semana para aprender a cantar esta música... e eu canto mesmo mal, mesmo, mesmo...

sábado, abril 26, 2008

De compreensão lenta...

Após o teu telefonema de hoje, enquanto tento aprender a cantar uma canção para o próximo espectáculo, finalmente percebi... a inutilidade do orgulho...

I'm wearing my heart like a crown
Pretending that you're still around

sexta-feira, abril 25, 2008

Porque já é 25 de Abril... contra o esquecimento e a falta de memória...

Ora passou-se porém
que dentro de um povo escravo
alguém que lhe queria bem
um dia plantou um cravo.
Era a semente da esperança
feita de força e vontade
era ainda uma criança
mas já era a liberdade.
Era já uma promessa
era a força da razão
do coração à cabeça
da cabeça ao coração.
Quem o fez era soldado
homem novo capitão
mas também tinha a seu lado
muitos homens na prisão.
Esses que tinham lutado
a defender um irmão
esses que tinham passado
o horror da solidão
esses que tinham jurado
sobre uma côdea de pão
ver o povo libertado
do terror da opressão.
Não tinham armas é certo
mas tinham toda a razão
quando um homem morre perto
tem de haver distanciação
uma pistola guardada
nas dobras da sua opção
uma bala disparada
contra a sua própria mão
e uma força perseguida
que na escolha do mais forte
faz com que a força da vida
seja maior do que a morte.
Quem o fez era soldado
homem novo capitão
mas também tinha a seu lado
muitos homens na prisão.
Posta a semente do cravo
começou a floração
do capitão ao soldado
do soldado ao capitão.
Foi então que o povo armado
percebeu qual a razão
porque o povo despojado
lhe punha as armas na mão.
Pois também ele humilhado
em sua própria grandeza
era soldado forçado
contra a pátria portuguesa.
Era preso e exilado
e no seu próprio país
muitas vezes estrangulado
pelos generais senis.
Capitão que não comanda
não pode ficar calado
é o povo que lhe manda
ser capitão revoltado
é o povo que lhe diz
que não ceda e não hesite
- pode nascer um país
do ventre duma chaimite.

José carlos Ary dos Santos "AS PORTAS QUE ABRIL ABRIU"

quinta-feira, abril 24, 2008

Sempre...

“É sempre assim: a verdadeira viagem é a que fazemos dentro de nós.”

Mia Couto “O outro pé da sereia”

Picardias...

“Faltava aos selvagens não apenas um credo. Faltava-lhes moderação na alegria, tento no riso, parcimónia na paixão. A gargalhada é mulher, o riso é masculino. A primeira é própria dos bichos, a segunda é humana.”

Mia Couto “O outro pé da sereia”

segunda-feira, abril 21, 2008

Talento + Emoção pura = Perfeição

Now I've heard there was a secret chord
That David played, and it pleased the Lord
But you don't really care for music, do you?
It goes like this
The fourth, the fifth
The minor fall, the major lift
The baffled king composing Hallelujah
Hallelujah
Hallelujah
Hallelujah
Hallelujah

Your faith was strong but you needed proof
You saw her bathing on the roof
Her beauty and the moonlight overthrew her
She tied you
To a kitchen chair
She broke your throne, and she cut your hair
And from your lips she drew the Hallelujah

Hallelujah, Hallelujah
Hallelujah, Hallelujah

You say I took the name in vain
I don't even know the name
But if I did, well really, what's it to you?
There's a blaze of light
In every word
It doesn't matter which you heard
The holy or the broken Hallelujah

Hallelujah, Hallelujah
Hallelujah, Hallelujah

I did my best, it wasn't much
I couldn't feel, so I tried to touch
I've told the truth, I didn't come to fool you
And even though
It all went wrong
I'll stand before the Lord of Song
With nothing on my tongue but Hallelujah

Hallelujah, Hallelujah
Hallelujah, Hallelujah
Hallelujah, Hallelujah
Hallelujah, Hallelujah
Hallelujah, Hallelujah
Hallelujah, Hallelujah
Hallelujah, Hallelujah
Hallelujah, Hallelujah
Hallelujah

Leonard Cohen "Hallelujah"

Gosto de a sentir...

“A saudade é uma tatuagem na alma: só nos livramos dela perdendo um pedaço de nós.”

Mia Couto “O outro pé da sereia”

Porque as palavras nem sempre são o que mais importa...

“Nascemos e choramos. A nossa língua materna não é a palavra. O choro é o nosso primeiro idioma.”

Mia Couto “O outro pé da sereia”

domingo, abril 20, 2008

...em jeito de agradecimento por um fim-de-semana... com açúcar e com afecto...

Tira a mão do queixo, não penses mais nisso
O que lá vai já deu o que tinha a dar
Quem ganhou, ganhou e usou-se disso
Quem perdeu há-de ter mais cartas para dar
E enquanto alguns fazem figura
Outros sucumbem à batota
Chega aonde tu quiseres
Mas goza bem a tua rota

Enquanto houver estrada para andar
A gente vai continuar
Enquanto houver estrada para andar
Enquanto houver ventos e mar
A gente não vai parar
Enquanto houver ventos e mar

Todos nós pagamos por tudo o que usamos
O sistema é antigo e não poupa ninguém, não
Somos todos escravos do que precisamos
Reduz as necessidades se queres passar bem
Que a dependência é uma besta
Que dá cabo do desejo
E a liberdade é uma maluca
Que sabe quanto vale um beijo

Enquanto houver estrada para andar
A gente vai continuar
Enquanto houver estrada para andar
Enquanto houver ventos e mar
A gente não vai parar
Enquanto houver ventos e mar

Enquanto houver estrada para andar
A gente vai continuar
Enquanto houver estrada para andar
Enquanto houver ventos e mar
A gente não vai parar
Enquanto houver ventos e mar

Jorge Palma "A gente vai continuar"

quinta-feira, abril 17, 2008

O medo da incerteza...

“Esse é o destino da mulher pobre: ser a última a deitar-se e não dormir com medo de não ser a primeira a despertar.”

Mia Couto “O outro pé da sereia”

A sabedoria daqueles bafejados com o dom da paciência...

“Tenho saudade do moço, nunca dizia nada e, assim, tinha sempre razão.”

Mia Couto “O outro pé da sereia”

segunda-feira, abril 14, 2008

Resposta do Ministro da Educação do Brasil, Cristovam Buarque, num debate numa universidade americana...

"De fato, como brasileiro eu simplesmente falaria contra a internacionalização da Amazónia. Por mais que nossos governos não tenham o devido cuidado com esse património, ele é nosso. Como humanista, sentindo o risco da degradação ambiental que sofre a Amazónia, posso imaginar a sua internacionalização, como também a de tudo o mais que tem importância para a humanidade. Se a Amazónia, sob uma ética humanista, deve ser internacionalizada, internacionalizemos também as reservas de petróleo do mundo inteiro... O petróleo é tão importante para o bem-estar da humanidade quanto a Amazónia para o nosso futuro. Apesar disso, os donos das reservas sentem-se no direito de aumentar ou diminuir a extracção de petróleo e subir ou não seu preço. Da mesma forma, o capital financeiro dos países ricos deveria ser internacionalizado. Se a Amazónia é uma reserva para todos os seres humanos, ela não pode ser queimada pela vontade de um dono ou de um país. Queimar a Amazónia é tão grave quanto o desemprego provocado pelas decisões arbitrárias dos especuladores globais. Não podemos deixar que as reservas financeiras sirvam para queimar países inteiros na volúpia da especulação. Antes mesmo da Amazónia, eu gostaria de ver a internacionalização de todos os grandes museus do mundo. O Louvre não deve pertencer apenas à França. Cada museu do mundo é guardião das mais belas peças produzidas pelo géniohumano. Não se pode deixar esse património cultural, como o património natural Amazónico, seja manipulado e destruído pelo gosto de um proprietário ou de um país. Não faz muito tempo, um milionário japonês, decidiu enterrar com ele, um quadro de um grande mestre. Antes disso, aquele quadro deveria ter sido internacionalizado. Durante este encontro, as Nações Unidas estão realizando o Fórum do Milénio, mas alguns presidentes de países tiveram dificuldades em comparecer por constrangimentos na fronteira dos EUA. Por isso, eu acho que Nova York, como sede das Nações Unidas, deve ser internacionalizada. Pelo menos Manhattan deveria pertencer a toda a humanidade. Assim como Paris, Veneza, Roma, Londres, Rio de Janeiro, Brasília, Recife, cada cidade, com sua beleza específica, sua história do mundo, deveria pertencer ao mundo inteiro. Se os EUA querem internacionalizar a Amazónia, pelo risco de deixá-la nas mãos de brasileiros, internacionalizemos também todos os arsenais nucleares dos EUA. Até porque eles já demonstraram que são capazes de usar essas armas, provocando uma destruição milhares de vezes maior do que as lamentáveis queimadas feitasnas florestas do Brasil. Nos seus debates, os actuais candidatos à presidência dos EUA têm defendido a ideia de internacionalizar as reservas florestais do mundo em troca da dívida. Comecemos usando essa dívida para garantir que cada criança do Mundo tenha possibilidade de COMER e de ir à escola. Internacionalizemos as crianças tratando-as, todas elas, não importando o país onde nasceram, como património que merece cuidados do mundo inteiro. Ainda mais do que merece a Amazónia. Quando os dirigentes tratarem as crianças pobres do mundo como um património da Humanidade, eles não deixarão que elas trabalhem quando deveriam estudar, que morram quando deveriam viver. Como humanista, aceito defender a internacionalização do mundo. Mas, enquanto o mundo me tratar como brasileiro, lutarei para que a Amazónia seja nossa. Só nossa!"

Porque este discurso foi censurado... fica aqui, com a devida vénia, para ser lido.

sábado, abril 12, 2008

Como vivo em democracia não cedo perante a prepotência fardada....

Ameaças fardadas por policias enfadados, que precisam de algo para fazer, por alegado alarido na via pública fazem renascer em mim o revolucionário de esquerda dos meus 16 anos. Ninguém me manda calar ou falar mais baixo só porque não tem mais nada para fazer, ou quer dar o exemplo porque não pode mandar baixar o volume de um bar que funciona ilegalmente no centro de uma cidade. Puta que os pariu... agora têm que provar em tribunal que o volume da minha voz excede o limite legal dos décibeis permitidos por lei. Que eu saiba vivemos em democracia e a palavra de um cidadão, neste caso três, vale tanto, senão mais, do que a palavra de dois idiotas fardados.

quarta-feira, abril 09, 2008

O ópio dos homens...

- Gostava que me ensinasse umas palavras na sua língua.
- Quer saber o quê?
- Sei lá, por exemplo, amor.
- Amor, não. Todas menos essa.
- Ora e porquê?
- Essa palavra enfeitiça os homens. É pior que a religião dos brancos…

Mia Couto “O outro pé da sereia”

sábado, abril 05, 2008

Possibilidades alcoolizadas...

É possivel que nada nesta vida valha a pena se não soubermos o que é amar incondicionalmente... porque isto das percentagens só pode resultar mal... é possivel que nunca sejamos capazes de perceber o processo cerebral e afectivo de uma mulher.... é possivel que uma mulher nunca perceba a simplicidade da nossa funcionalidade ontológica.... é possivel que eu esteja com uma borracheira tagarela e inconsequente... vou mas é dormir...

sexta-feira, abril 04, 2008

Lindo... simplesmente...

“Quem parte treme, quem regressa teme. Tem-se medo de se ter sido vencido pelo Tempo, medo de que a ausência tenha devorado as lembranças. A saudade é um morcego cego que falhou fruto e mordeu a noite.”

Mia Couto “O outro pé da sereia”

quarta-feira, abril 02, 2008

Uma revelação cheia de som e fúria...

“(…) quem se lembra tanto de tudo é porque não espera mais nada da vida.”

Mia Couto “O outro pé da sereia”