segunda-feira, junho 30, 2008

Contras e prós...

“O amor em cartas, objectei-lhe eu, é como um jantar de que não nos oferecem senão a lista. Nada obsta a que seja o mais sumptuoso, mas não é por certo o mais nutriente…”

“Veja que ideal ventura! O prazer de amar e de ser amada sem ter do amor o que há nele mais impertinente e mais prosaico: as imperfeições que a convivência descobre e multiplica!”

Ramalho Ortigão “Histórias Cor-de-Rosa”

quinta-feira, junho 26, 2008

"The plan it wasn't much of a plan"... nunca é, nunca é...

The plan it wasn't much of a plan
I just started walking
I had enough of this old town
had nothing else to do
It was one of those nights
you wonder how nobody died
we started talking
You didn't come here to have fun
you said: "well I just came for you"

But do you still love me?
do you feel the same
Do I have a chance
of doing that old dance
with someone I've been
pushing away

And touch we touched the soul
the very soul, the soul of what we were then
With the old schemes of shattered dreams
lying on the floor
You looked at me
no more than sympathy
my lies you have heard them
My stories you have laughed with
my clothes you have torn

And do you still love me?
do you feel the same
And do I have a chance
of doing that old dance again
Is it too late for some of that romance again
Let's go away, we'll never have the chance again

You lost that feeling
You want it again
More than I'm feeling
you'll never get
You've had a go at
all that you know
You lost that feeling
so come down and show

Don't say goodbye
let accusations fly
like in that movie
You know the one where Martin Sheen
waves his arm to the girl on the street
I once told a friend
that nothing really ends
no one can prove it
So I'm asking you now
could it possibly be
that you still love me?
And do you feel the same
Do I have a chance
of doing that old dance again
Is it too late for some of that romance again
Let's go away, we'll never have the chance again

I take it all from you
I take it all from you
I take it all from you
I take it all from you

I take it all from you
I take it all from you

dEUS - Nothing Really Ends

Gosto muito deste verso: You'll see that i don't fake Even if i wanted to...

Everything is quiet
There, in a pool of light
I would have sworn that she had died
I'm telling you

In all that i will say
In every move i'll make
You'll see that i don't fake Even if i wanted to

She passed it on to me

She walked into my life
The ridiculous and sublime
Beneath the lowered sky
She fell in love

And passed it on to me

I threw it all away
Like a record that you don't play
And all the hurt i saved
Well, time had come

I passed it on to her

Do you realize
Do you realize
To look into her eyes
And to let her go

To pass it on to him

Now everything was quiet
I would have sworn that she had died
And i didn't even try....

(Was it bad timing?)
Now all you want to hear
Is everything you fear
So don't you come too near

Cause everything you need
You'll get from her

dEUS - Bad Timing (Live)

segunda-feira, junho 23, 2008

Resolução de S. João...

Há uma metáfora budista que diz qualquer coisa do género: dois monges deparam-se com um moça na margem de um rio que lhes pede ajuda para passar para a outra margem. O primeiro pega-a ao colo, carrega-a até lá e despedem-se. O segundo, visivivelmente incomodado, permanece em silêncio. Muito tempo depois, não resiste a recriminar o primeiro monge, dizendo que ele tinha quebrado vários votos ao ter pegado e carregado a moça e outras coisas que agora não me lembro. Também não importa, o que interessa mesmo é a resposta do primeiro monge: Posso ter infringido todas as regras ao carregar a moça até à outra margem do rio, mas eu deixei-a lá ficar e tu vens a carregar todo esse peso desde então...

Chamei-lhe metáfora porque alegoria me pareceu demasiado pretensioso, e ateu empedernido, nada dado a misticismos e lições de moral, prefiro simplificar deixando as coisas valer por si. Quanto a mim... já decidi... não carrego mais nada para além do tempo estritamente necessário para o fazer. Obrigado meu rico S. João.

Sem fogo-de artificio... sem martelo... sem alho...

“As paixões súbitas, as afeições irreflectidas, embora digam ser as mais temerosas e profundas, são as únicas que a serenidade e a reflexão rebatem vitoriosamente. As outras não. São o amor eterno. Pode a chaga não sangrar para fora, mas lá fica no coração, afistulada pelo tempo e fatalmente aberta para todo o sempre.”

“Sim! Amei-te… e amo-te! Não te presta esse amor? Embora! Ainda assim, ele te seguirá por toda a parte, despercebido e invisível.”

Ramalho Ortigão “Histórias Cor-de-Rosa”

sábado, junho 21, 2008

Do sentir e do conquistar...

“Muitas mulheres tenho visto, e pertenceu-me mais tarde ou mais cedo o amor de quase todas as que me agradaram. A si porém, Fanny, era eu que pertencia. Cativo, eu, de si unicamente o fui. Essa é diferença entre isto e aquilo. Aqui o amor que senti, por lá o amor que conquistei.”

Ramalho Ortigão “Histórias Cor-de-Rosa”

sexta-feira, junho 20, 2008

Mas há sempre um terceiro e um e quarto e...

“Coisa singular: tinha saudades de mim mesmo! Havia em mim um homem que partia e outro que ficava, e o primeiro receava não tornar a encontrar o segundo.”

Ramalho Ortigão “Histórias Cor-de-Rosa”

A vida em todo o seu esplendor...

“Não parei mais senão quando parou a música. Parecia-me que ia levado pela impulsão estranha de umas asas de fogo que sentia adejarem sobre a minha cabeça. Era um movimento irresistível, um impulso fatal, uma força adquirida, como se diria em mecânica. Aprazia-me talvez parar e não pude.”

Ramalho Ortigão “Histórias Cor-de-Rosa”

quarta-feira, junho 18, 2008

O vídeo vale pelos segundos em que aparece o poeta... excessivo, vulcânico, apaixonante...

(eu sei, Filipa, que já tinhas colocado o poema num comentário, mas nunca é demais... ;))

Era a tarde mais longa de todas as tardes que me acontecia
Eu esperava por ti, tu não vinhas, tardavas e eu entardecia
Era tarde, tão tarde, que a boca, tardando-lhe o beijo, mordia
Quando à boca da noite surgiste na tarde tal rosa tardia

Quando nós nos olhámos tardámos no beijo que a boca pedia
E na tarde ficámos unidos ardendo na luz que morria
Em nós dois nessa tarde em que tanto tardaste o sol amanhecia
Era tarde de mais para haver outra noite, para haver outro dia

Meu amor, meu amor
Minha estrela da tarde
Que o luar te amanheça e o meu corpo te guarde
Meu amor, meu amor
Eu não tenho a certeza
Se tu és a alegria ou se és a tristeza
Meu amor, meu amor
Eu não tenho a certeza

Foi a noite mais bela de todas as noites que me adormeceram
Dos nocturnos silêncios que à noite de aromas e beijos se encheram
Foi a noite em que os nossos dois corpos cansados não adormeceram
E da estrada mais linda da noite uma festa de fogo fizeram

Foram noites e noites que numa só noite nos aconteceram
Era o dia da noite de todas as noites que nos precederam
Era a noite mais clara daqueles que à noite amando se deram
E entre os braços da noite de tanto se amarem, vivendo morreram

Eu não sei, meu amor, se o que digo é ternura, se é riso, se é pranto
É por ti que adormeço e acordo e acordado recordo no canto
Essa tarde em que tarde surgiste dum triste e profundo recanto
Essa noite em que cedo nasceste despida de mágoa e de espanto

Meu amor, nunca é tarde nem cedo para quem se quer tanto.

José carlos Ary dos Santos "Estrela Da Tarde"

Porque ando a redescobrir o Ary...

Meu amor meu amor
meu corpo em movimento
minha voz à procura
do seu próprio lamento.

Meu limão de amargura meu punhal a escrever
nós parámos o tempo não sabemos morrer
e nascemos nascemos
do nosso entristecer.

Meu amor meu amor
meu nó e sofrimento
minha mó de ternura
minha nau de tormento

este mar não tem cura este céu não tem ar
nós parámos o vento não sabemos nadar
e morremos morremos
devagar devagar.

José Carlos Ary dos Santos "Meu amor, meu amor"

O maior medo está sempre dentro de nós...

Theres a nail in the door
And theres glass on the lawn
Tacks on the floor
And the tv is on
And I always sleep with my guns
When youre gone

Theres a blade by the bed
And a phone in my hand
A dog on the floor
And some cash on the nightstand
When Im all alone the dreaming stops
And I just cant stand

What should I do Im just a little baby
What if the lights go out and maybe
And then the wind just starts to moan
Outside the door he followed me home

Well goodnight moon
I want the sun
If its not here soon
I might be done
No it wont be too soon til I say
Goodnight moon

Theres a shark in the pool
And a witch in the tree
A crazy old neighbour and hes been watching me
And theres footsteps loud and strong coming down the hall
Somethings under the bed
Now its out in the hedge
Theres a big black crow sitting on my window ledge
And I hear something scratching through the wall

Oh what should I do Im just a little baby
What if the lights go out and maybe
I just hate to be all alone
Outside the door he followed me home
Now goodnight moon
I want the sun
If its not here soon
I might be done
No it wont be too soon til I say
Goodnight moon

Well youre up so high
How can you save me
When the dark comes here
Tonight to take me up
The mouth from woke
And into bed where it kisses my face
And eats my hand

Oh what should I do Im just a little baby
What if the lights go out and maybe
And then the wind just starts to moan
Outside the door he followed me home
Now goodnight moon
I want the sun
If its not here soon
I might be done
No it wont be too soon til I say
Goodnight moon
No it wont be too soon til I say
Goodnight moon

Ambrosia Parsley/Duke McVinnie "Goodnight moon"

terça-feira, junho 17, 2008

You could have done better but I dont mind...

It aint no use to sit and wonder why, babe
It dont matter, anyhow
An it aint no use to sit and wonder why, babe
If you dont know by now
When your rooster crows at the break of dawn
Look out your window and Ill be gone
Youre the reason Im travlin on
Dont think twice, its all right

It aint no use in turnin on your light, babe
That light I never knowed
An it aint no use in turnin on your light, babe
Im on the dark side of the road
Still I wish there was somethin you would do or say
To try and make me change my mind and stay
We never did too much talkin anyway
So dont think twice, its all right

It aint no use in callin out my name, gal
Like you never did before
It aint no use in callin out my name, gal
I cant hear you any more
Im a-thinkin and a-wondrin all the way down the road
I once loved a woman, a child Im told
I give her my heart but she wanted my soul
But dont think twice, its all right

Im walkin down that long, lonesome road, babe
Where Im bound, I cant tell
But goodbyes too good a word, gal
So Ill just say fare thee well
I aint sayin you treated me unkind
You could have done better but I dont mind
You just kinda wasted my precious time
But dont think twice, its all right

Bob Dylan "Don't Think Twice, It's Alright"

Ah, os olhos... os olhos...

Eu vinha de comprar fósforos
e uns olhos de mulher feita
olhos de menos idade que a sua
não deixavam acender-me o cigarro.
Eu era eureka para aqueles olhos.
Entre mim e ela passava gente como se não passasse
e ela não podia ficar parada
nem eu vê-la sumir-se.
Retive a sua silhueta
para não perder-me daqueles olhos que me levavam espetado
E eu tenho visto olhos !
Mas nenhuns que me vissem
nenhuns para quem eu fosse um achado existir
para quem eu lhes acertasse lá na sua ideia
olhos como agulhas de despertar
como íman de atrair-me vivo
olhos para mim!
Quando havia mais luz
a luz tornava-me quase real o seu corpo
e apagavam-se-me os seus olhos
o mistério suspenso por um cabelo
pelo hábito deste real injusto
tinha de pôr mais distância entre ela e mim
para acender outra vez aqueles olhos
que talvez não fossem como eu os vi
e ainda que o não fossem, que importa?
Vi o mistério!
Obrigado a ti mulher que não conheço.

Almada Negreiros "Aconteceu-me"

segunda-feira, junho 16, 2008

Qual é a diferença?

... entre os Mugabe deste mundo e os senhores democratas que quando não gostam do resultados dos votos insistem em novas eleições até os seus interesses serem satisfeitos?

sexta-feira, junho 13, 2008

Com dedicatória...

Fecham-se os dedos donde corre a esperança,
Toldam-se os olhos donde corre a vida.
Porquê esperar, porquê, se não se alcança
Mais do que a angústia que nos é devida?

Antes aproveitar a nossa herança
De intenções e palavras proibidas.
Antes rirmos do anjo, cuja lança
Nos expulsa da terra prometida.

Antes sofrer a raiva e o sarcasmo,
Antes o olhar que peca, a mão que rouba,
O gesto que estrangula, a voz que grita.

Antes viver do que morrer no pasmo
Do nada que nos surge e nos devora,
Do monstro que inventámos e nos fita.

José Carlos Ary dos Santos "Soneto"

domingo, junho 08, 2008

When will I see you again?

(a cara das mocinhas no final é deliciosa...)

My life is changing
in so many ways
I don't know who
to trust anymore
There's a shadow running
thru my days
Like a beggar going
from door to door.

I was thinking that
maybe I'd get a maid
Find a place nearby
for her to stay.
Just someone
to keep my house clean,
Fix my meals and go away.

A maid. A man needs a maid.
A maid.

It's hard to make that change
When life and love
turns strange.
And old.

To give a love,
you gotta live a love.
To live a love,
you gotta be "part of"
When will I see you again?

A while ago somewhere
I don't know when
I was watching
a movie with a friend.
I fell in love with the actress.
She was playing a part
that I could understand.

A maid. A man needs a maid.
A maid.

When will I see you again?

Neil Young "A man needs a maid"

sábado, junho 07, 2008

...and crashing...

I have come 500 miles just to see a halo
Come from st. petersburg, scarlett and me
Well I open my eyes, I was blind as can be
When you give a man luck, he must fall in the sea
And she wants you to steal and get caught
For she loves you for all that you are not
When you’re falling down, falling down
When you’re falling down, falling down, falling down

You forget all the roses, don’t come around on sunday
She’s not gonna choose you for standing so tall
Go on and take a swig of that poison and like it
And don’t ask for silverware, don’t ask for nothing
Go on and put your ear to the ground
You know you will be hearing that sound......falling down.
You’re falling down, falling down
Falling down, falling down, falling down

When you’re falling down, falling down, falling down

Go on down and see that wrecking ball come swinging on along
Everyone knew that hotel was a goner
They broke all the windows, they took all the door knobs
And they hauled it away in a couple of days
Now someone yell timber and take off your hat
It’s a lot smaller down here on the ground
You’re falling down, falling down, falling down
Falling down, falling down, falling down

Someone’s falling down, falling down, falling down
Falling down, falling down, falling down

Tom Waits "Falling Down"

sexta-feira, junho 06, 2008

Teimosias...

“Necessitava do seu livre arbítrio e do seu entusiasmo, apesar da sua falta de prudência. Mas atirou-se sempre ao pior como para mostrar o calibre da sua obstinação!”

Fernando Arrabal “A Virgem Vermelha”

Bem pelo contrário... quem dá mais do que pode... talvez saiba amar...

“Mas não exijas de mim o que não te posso dar.”

Fernando Arrabal “A Virgem Vermelha”

Uma boa pessoa portanto...

“(…) não se preocupava em cultivar virtudes profundas nem se deixava embalar pela estreiteza da dissimulação requintada.”

Fernando Arrabal “A Virgem Vermelha”

domingo, junho 01, 2008

“(…) e, por nada ter que fazer, penso no que nunca fiz.”

“Tenho de me alimentar com vitaminas, dormir pelo menos oito horas profundamente, parar de pensar, sobretudo isso, e impedir que qualquer forma de beleza me atinja a alma, já de si tão ferida. Recuperar, sonhar com outra coisa que não isto que insiste em se mostrar à minha frente, opaco, intransponível.”

Pedro Paixão “Portokyoto”