sexta-feira, maio 29, 2009

...os dias que vão passando...

"Num banco de jardim uma velhinha
está tão só com a sombrinha
que é o seu pano de fundo.
Num banco de jardim uma velhinha
está sozinha, não há coisa
mais triste neste mundo.
E apenas faz ternura, não faz pena,
não faz dó,
pois tem no rosto um resto de frescura.
Já coseu alpergatas e
bandeiras verdadeiras.
Amargou a pobreza até ao fundo.
Dos ossos fez as mesas e as cadeiras,
as maneiras
que a fazem estar sentada sobre o mundo.
Neste jardim ela
à trepadeira das canseiras
das rugas onde o tempo
é mais profundo.
Num banco de jardim uma velhinha
nunca mais estará sozinha,
o futuro está com ela,
e abrindo ao sol o negro da
sombrinha poidinha,
o sol vem namorá-la da janela.
Se essa velhinha fosse
a mãe que eu quero,
a mãe que eu tinha,
não havia no mundo outra mais bela.
Num banco de jardim uma velhinha
faz desenhos nas pedrinhas
que, afinal, são como eu.
Sabe que as dores que tem também são minhas,
são moinhas do filho a desbravar que Deus lhe deu.
E, em volta do seu banco, os
malmequeres e as andorinhas
provam que a minha mãe nunca morreu."

José Carlos Ary dos Santos "Balada para uma velhinha"

sexta-feira, maio 22, 2009

Já está meus amores... Adeus...

quinta-feira, maio 21, 2009

Noticias brutais sem aviso prévio...

Quando já não resta nada a fazer e o desenlace se afigura com a previsibilidade que não queremos talvez fosse bom ter um pouco de fé. (Momentos de inveja de quem não pode aspirar a tal coisa) Pela segunda vez um hospital se torna um local de trevas profundas. Como não sei dizer adeus também já nada me resta. Chorar ainda vá, com a opressão da inutilidade que isso acarreta. Um dia serei eu a partir... que seja mais rápido e menos doloroso para quem fica.

(e entretanto sou Mestre, Muito Bom por unanimidade, dizem, mas isso também já não interessa nada)

terça-feira, maio 19, 2009

Quinta-feira de manhã vou tentar defender algo parecido...

“Sacudira o ar e dirigira-se ao seu cérebro e ao dos outros através do ouvido, o nosso órgão mais íntimo.”

Italo Svevo “Um Embuste Perfeito”

Dúvida existencial...

“Gostaria de saber se, mantendo-me vivo, trapaceio a vida ou a morte.”


Italo Svevo “Um Embuste Perfeito”

domingo, maio 03, 2009

you've seen me...

"Have you ever seen a one trick pony in the field so happy and free?
If you've ever seen a one trick pony then you've seen me
Have you ever seen a one-legged dog making its way down the street?
If you've ever seen a one-legged dog then you've seen me

Then you've seen me, I come and stand at every door
Then you've seen me, I always leave with less than I had before
Then you've seen me, bet I can make you smile when the blood, it hits the floor
Tell me, friend, can you ask for anything more?
Tell me can you ask for anything more?

Have you ever seen a scarecrow filled with nothing but dust and wheat?
If you've ever seen that scarecrow then you've seen me
Have you ever seen a one-armed man punching at nothing but the breeze?
If you've ever seen a one-armed man then you've seen me

Then you've seen me, I come and stand at every door
Then you've seen me, I always leave with less than I had before
Then you've seen me, bet I can make you smile when the blood, it hits the floor
Tell me, friend, can you ask for anything more?
Tell me can you ask for anything more?

These things that have comforted me, I drive away
This place that is my home I cannot stay
My only faith's in the broken bones and bruises I display

Have you ever seen a one-legged man trying to dance his way free?
If you've ever seen a one-legged man then you've seen me"

Bruce Springsteen "The Wrestler"