sexta-feira, agosto 28, 2009

E vê-se... pois vê-se...

“Tentei explicar que as pessoas se regem muito mais pelo costume e pelo interesse do que pelos “princípios” – uma vez que o género humano é tendencialmente preguiçoso, egoísta e pouco generoso.”

António Sousa Homem “Os Males da Existência”

quarta-feira, agosto 26, 2009

“Por mim, leio cada vez mais devagar e tenho de escolher os livros da mesa-de-cabeceira.”

“Portugal vive empenhado em pagar direitos de autor a cavalheiros que escrevem uns livros vagamente parecidos com romances, e a senhoras que – se vivessem noutra época – resolveriam o problema com uma ida mais frequente ao confessionário. (…) As senhoras que hoje escrevem romances de família são excelentes namoradeiras e conhecem a maquineta que comanda as emoções – um casamento desfeito, uma família desorganizada, vícios normais para a idade e interrogações chãs e acessíveis sobre ser adulto. Melhor do que isso fez a literatura popular de outros tempos, que nos ofereceu O Conde de Monte Cristo, A Ilha do Tesouro ou, bem vistas as coisas, alguns dos folhetins avulsos de Camilo, com a vantagem de serem bons em gramática e de não se levarem a sério no mais importante.”

António Sousa Homem “Os Males da Existência”

terça-feira, agosto 25, 2009

Nunca fugimos do que é e do que somos...

“Tudo poderia ter resultado, tudo poderia ter sido de outra maneira, mas há uma abominável sensatez que manda reorganizar o mundo a partir do que ele é e não a partir do que ele poderia ter sido.”


“Podíamos, sempre, ter sido outra coisa. Mas dizemos isso passados muitos anos, quando não se pode voltar atrás.”


António Sousa Homem “Os Males da Existência”


segunda-feira, agosto 24, 2009

Valerá?

“Depois da psicanálise, da invenção da “juventude” e da pedagogia, o mundo é muito mais esclarecido sobre os profundos abismos da alma. Mas isso é uma coisa; outra coisa, inteiramente diferente, é admitir que essa alma ainda vale alguma coisa.”


António Sousa Homem “Os Males da Existência”

O que fui...

“Quando perdemos uma excentricidade, perdemos aquilo que nos faz continuar vivos no meio das pessoas como nós.”


António Sousa Homem “Os Males da Existência”


sábado, agosto 22, 2009

Como as pessoas em geral, aliás...

“Esta ideia de que um romance se escreve quando se tem uma vida para contar parece justa e agradável à vista mas, na verdade, os grandes romances entretêm-se mais com a vida dos outros do que com a dos próprios.”

António Sousa Homem “Os Males da Existência”



sexta-feira, agosto 21, 2009

Do saber...

“(…) o que me não contam, eu não sei; o que não sei, não me assusta.”


António Sousa Homem “Os Males da Existência”

Do ser...

“Mas, como as coisas estão, é preferível que falemos de pessoas do que de pátrias.”

António Sousa Homem “Os Males da Existência”

quinta-feira, agosto 20, 2009

Regresso às leituras...

“Aprendi com o velho Doutor Homem, meu pai, que a abundância de livros não deve fazer-nos pensar na sabedoria mas apenas na vaidade e no prazer. Não na alegria (que raramente se retira deles); antes, no prazer que se retira do silêncio, da contemplação e da pequena vaidade.”


António Sousa Homem “Os Males da Existência”


segunda-feira, agosto 10, 2009

O poema da minha vida...

Aniversário

"No tempo em que festejavam o dia dos meus anos,
Eu era feliz e ninguém estava morto.
Na casa antiga, até eu fazer anos era uma tradição de há séculos,
E a alegria de todos, e a minha, estava certa com uma religião qualquer.

No tempo em que festejavam o dia dos meus anos,
Eu tinha a grande saúde de não perceber coisa nenhuma,
De ser inteligente para entre a família,
E de não ter as esperanças que os outros tinham por mim.
Quando vim a ter esperanças, já não sabia ter esperanças.
Quando vim a olhar para a vida, perdera o sentido da vida

Sim, o que fui de suposto a mim-mesmo,
O que fui de coração e parentesco.
O que fui de serões de meia-província,
O que fui de amarem-me e eu ser menino,
O que fui --- ai, meu Deus!, o que só hoje sei que fui...
A que distância!...(Nem o acho...)
O tempo em que festejavam o dia dos meus anos!

O que eu sou hoje é como a humidade no corredor do fim da casa,
Pondo grelado nas paredes...
O que eu sou hoje (e a casa dos que me amaram treme através das minhas lágrimas),
O que eu sou hoje é terem vendido a casa,
É terem morrido todos,
É estar eu sobrevivente a mim-mesmo como um fósforo frio..."

Álvaro de Campos

(porque a minha mãe foi sepultada no dia dos meus anos, na exacta hora, mais segundo menos segundo, em que muitos anos antes tinha sofrido para me dar à luz - cinco quilos e duzentas gramas de homem não é para qualquer uma - e porque o meu cão, que ela me deixou em herança, está a cegar e com arritmias cardiacas, e porque não sei se serei capaz de manter a casa onde vivi quase toda a vida... o Álvaro de Campos já disse tudo...)